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Desmatamento eleva temperaturas e diminui tamanho de peixes

Por Pérola Cattini

Da coluna Bem-Estar
Artigo de responsabilidade do autor

Sem cobertura natural, os cursos d’água passam a receber incidência direta de luz solar

Divulgação

ColunaBem-Estar

O desmatamento pode provocar desequilíbrios ambientais irreversíveis para todas as espécies. Ainda que os humanos possuam dispositivos para aliviar o calor, como o ar condicionado, os outros animais seguem sofrendo com a ação destruição da natureza causada pelos seres humanos. Uma das pesquisas que chegou a essa conclusão foi feita pelo biólogo formado pelo Instituto de Biociências (IB) da USP, Paulo Ricardo Ilha. O estudo foi realizado em áreas rurais próximas ao Parque Nacional do Xingu e constatou que o desmatamento, ao elevar as temperaturas dos rios, pode provocar a diminuição do tamanho de peixes.

Quando não há cobertura vegetal, como árvores, os cursos d’água perdem o sombreamento natural e o sol passa a incidir diretamente nesses pontos. “Há um aumento de 3 a 4 graus da temperatura de riachos em áreas desmatadas. Essa diferença pode ser de 6 a 8 graus nas horas mais quentes do dia”, disse o pesquisador, em entrevista para a Revista Galileu. De acordo com o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC), um aumento de 1,5ºC, já é o suficiente para consequências catastróficas.

A floresta intercepta e reflete parte da luz solar, evitando que o ar aqueça excessivamente. A evapotranspiração das árvores também contribui para o resfriamento dessas áreas. Quando há uma remoção de regiões naturais, consequentemente ocorre um aumento de temperatura. O mesmo acontece com córregos, rios e riachos. O efeito paisagístico também é relevante nesse contexto, já que há a formação de barragens de forma intencional.

Apesar da alta temperatura não provocar a morte dos peixes, há uma diminuição no tamanho das espécies de até 36% na idade adulta. A hipótese é que o calor faz com que o metabolismo dos peixes fique mais acelerado. A quantidade de alimento é a mesma, mas há um gasto maior na manutenção do corpo. Nesse cenário, o animal para de crescer antes da hora.

No início, os pesquisadores não sabiam que havia uma alteração no tamanho de animais marinhos. Com o decorrer das observações, contudo, esse fenômeno foi observado e foram elencadas hipóteses para responder a essa diferença. “Desde 1800 já existiam estudos que nos mostravam a relação entre aumento de temperatura e diminuição corporal dos organismos. De lá para cá, diversos estudos foram feitos e reforçaram essa relação”, afirma Paulo Ilha em entrevista para o jornal da USP.

 

Para confirmar essa hipótese, foram criados dois grupos de uma espécie nativa da região (Melanorivulus zygonectes). Um ficou em uma temperatura de 24ºC, que é a temperatura usual nas florestas, e o outro com 32ºC, considerada a média das temperaturas nas horas mais quentes do dia. “A gente viu que a temperatura de 32ºC é suficiente para causar a inibição do crescimento e perda de massa. Ou seja, estão gastando muita energia para se manterem vivos nessa temperatura. Alguns deles não conseguem lidar com essas condições e morrem”, contou Paulo Ilha na Revista Galileu.

A saída é misturar mais áreas de conservação com aquelas destinadas para o uso humano. Um desses sistemas se chama agroflorestal, nos quais se combinam espécies arbóreas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou criação de animais, de forma simultânea ou em seqüência temporal e que promovem benefícios econômicos e ecológicos, segundo o Centro de Inteligência em Florestas (CIFLORESTAS).

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